sábado, 1 de outubro de 2016

POBRE JAQUE !



Incomodado com a jaqueira assassinada na semana anterior, resolvi dar uma passada no local do crime, onde um monstro, armado com uma motosserra, atacou sem piedade a pobre jaqueira, cujo o único crime era deixar suas folhas e frutos caírem nos tetos dos
moradores próximos a ela. Eles sofriam com os ataques da enlouquecida árvore, que apesar de amada, causava grande sofrimento ao bolso dos contribuintes que, calados, sofriam com os prejuízos decorrentes do humor da árvore.
Muitos foram os pedidos para que a turma da poda desse um jeito, mudaria toda a história que agitou grupos de Whatsapp. Pseudo ambientalistas se comoveram, aqueles que quando uma folha cai no chão chora e passa uma semana sem tomar um porre. Alguns chegam a andar de preto pela cidade para impressionar.
Mas a grande verdade em torno dessa celeuma fiz questão de descobrir. Um pouco ressabiado, fui atrás dos supostos envolvidos: simpatizantes da jaqueira, vizinhos e grupos ambientalistas que ameaçavam linchar nem que fosse em pensamento os desalmados autores do suposto crime ambiental.
Estive na casa das pessoas onde constatei a verdade por trás de toda essa novela, inclusive registrei os estragos causados pela frondosa jaqueira nas propriedades vizinhas. Foi então que descobri que bem ao lado, outra árvore tivera o mesmo destino, mas ninguém ficara tão revoltado como o acontecido com “Jaque” a jaqueira morta.
Apesar de tantos pedidos, súplicas, queixas feitas diretamente aos órgãos responsáveis, que não receberam a atenção que o caso merecia, quase resultou em uma guerra entre vizinhos.

Chega-se então a conclusão que está faltando um pouco de tolerância entre as pessoas, pois as dores ou problemas do meu vizinho não fazem parte dos meus problemas. Se eu estiver bem, pouco me importa o que aconteça com os outros, afinal, minha vida é minha e ninguém tem nada com isso, mesmo que, diante da minha insensibilidade o meu vizinho seja prejudicado, pois não é meu o problema.