terça-feira, 31 de maio de 2022

ARREPIADOS




Encontro com meu amigo Caixa Preta, um frio de lascar, pra não perder a viagem foi logo dizendo que a temperatura lá no Piauí despencou, chegou a bater os 37º graus, tem gente por lá falando em Armagedom.
Eu não estava muito disposto a me levantar hoje, com esse frio, mas já tinha aberto os olhos, a preguiça não deixou fechar os olhos novamente, mas fui logo encontrar com o cabra, querendo saber das novidades boas e ruins do Guará.
O velho Caixa aproveitando o frio, resolveu falar de coisas que nos deixam preocupados, tremendo por causa do frio e de um assunto que passou a dominar as rodas de conversa.
As eleições se aproximam numa velocidade de arrepiar e mais arrepiados ficamos com o que nos querem apresentar como solução.
Um bando de conhecidos políticos, a grande maioria metido em falcatruas, coisa comum por aqui, se apresentando como se novidade fossem, numa pureza de fazer inveja a Madre Tereza de Calcutá, verdadeiros santos ainda não canonizados, mas já com um pé no céu.
Nós pobres eleitores pecadores, temos que ter muito cuidado com essa invasão de santos aqui no DF, pois na verdade o que estão buscando é uma sombra na impunidade através dos cargos que possam ocupar, sem se preocupar com coisas sérias que precisamos resolver com certa urgência por aqui.

domingo, 29 de maio de 2022

GALINHAS






Enquanto não possuía nada, além da minha cama e dos meus livros, eu estava feliz. Agora eu possuo nove galinhas e um galo, e minha alma está perturbada. A propriedade me tornou cruel. 
Sempre que comprava uma galinha amarrava-a dois dias a uma árvore, para impor a minha morada, destruindo em sua memória frágil o amor à sua antiga residência. Remendei a cerca do meu quintal, a fim de evitar a evasão dos meus pássaros, e a invasão de raposas de quatro e dois pés. Eu me isolei, fortifiquei a fronteira, tracei uma linha diabólica entre mim e meu vizinho. Dividi a humanidade em duas categorias; eu, dono das minhas galinhas, e os outros que podiam tirá-las de mim. Eu defini o crime. O mundo encheu-se para mim de alegados ladrões, e pela primeira vez eu lancei do outro lado da cerca um olhar hostil. 
Meu galo era muito jovem. O galo do vizinho pulou a cerca e começou a corte das minhas galinhas e a amargar a existência do meu galo. Despedi o intruso a pedrada, mas elas pularam a cerca e desovaram na casa do vizinho. Eu reclamei os ovos e meu vizinho me odeia. Desde então vi a cara dele na cerca, o seu olhar inquisidor e hostil, idêntico ao meu.

quarta-feira, 25 de maio de 2022

REBATIZANDO




O Caixa Preta um gozador nato, propõe que a Esplanada do Ministério, seja rebatizada como o pomposo nome de Rota 171, já que os Estados Unidos tem a famosa Route 66 nós também teremos a nossa, muito mais emblemática, conhecida no mundo inteiro ela já está, vamos torná-la oficial.
Essa ideia surgiu lá no Porcão, o boteco mais charmoso e sujo da região, onde se reúne a nata dos desocupados, lisos e assemelhados para falar de política, futebol, vida alheia, para jogar conversa fora, discutir sobre nada depois de algumas doses. 
Parece até audiência pública aqui no Guará, onde discute-se tudo, depois ainda aparecem de repente nas redes e grupos de What’sApp, figuras que sabem a solução pra tudo, inclusive nada, muitas vezes  apenas pelo prazer de mostrar a sua inutilidade, verdadeiros lacaios. 
Mesmo sem conhecer o assunto passam a tecer ideias mil, mas sem conteúdo ou embasamento, apenas pelo prazer de mostrar que é um capacho nato, além de ser um mentiroso inveterado, mas nunca presente quando trata-se de uma discussão mais séria sobre o nosso quadrado. 
É nesse ambiente tranquilo, apesar das moscas e do calor com uma quentura próxima das caldeiras do inferno, que os quebrados se juntam naquela muvuca de lascar, onde rola de tudo um pouco, até briga de vizinhos.

sábado, 21 de maio de 2022

(UNI)VERSO (EN)FIM















(UNI)VERSO (EN)FIM

Um dia acordaremos e não haverá mais a manhã.
Não esperem recados, avisos de anjos, deuses ou demônios,
Não esperem um trem; não, não há estação para o além.
Imaginar trilhos, estradas floridas... É belo, mais nada
Trombetas só existem nas bocas dos homens,
Se houver sons, serão de canhões ou cataclismos, não de harpas,
Não pensem em juízes, porque não existirão réus, nem mais culpados.

Um dia acordaremos e não haverá mais amanhã.
Uma bomba, um cometa, um buraco negro? Nunca saberemos.
Talvez outro Universo comece dos cacos, cinzas e luzes,
Quem sabe outra eternidade de séculos infinitos?
Novas células se agruparão, formando novos seres vivos,
Se o acaso fizer humanos, será o mesmo Universo outra vez.
Aí, para grande tristeza de meus versos tristes: não estaremos lá!




terça-feira, 10 de maio de 2022

VOLTANDO AO LAZER




Conversando com o Caixa Preta, ele me lembrava que já fazem dois longos anos, onde o medo de morrer se sobrepôs a tudo, convívio com amigos, jogos de dominó nas praças, conversa fiada em botecos acompanhadas de fartas doses de cerveja bem gelada, fico sentindo até saudades dos coices do Galak, nosso gentil garçom lá do Porcão.
Mas na verdade estou com uma baita saudade da nossa Rua do Lazer, um evento que já era uma marca registrada para a população do Guará e amigos de outras RA’s que aproveitavam o evento para curtir com a gente, posso garantir que tem muita gente com saudades, mas continuo sem entender essa longa pausa numa coisa tão boa para a população.
Parece que existe uma luz no fim do túnel, o pessoal saudoso está querendo agora no dia 15 de maio logo após o Dia das Mães fazer acontecer, sendo assim, teremos novamente mais uma edição da nossa Rua de Lazer.
As desculpas dadas até hoje pela não realização do famoso evento são as mais esfarrapadas, nunca vi tanta cara de pau, a pandemia caiu do céu.
Mas a grande verdade é que a turma não gosta nem de ouvir falar da tal Rua de Lazer, já andaram até falando em por um fim nesse evento que hoje é lei, não é favor.

segunda-feira, 9 de maio de 2022

FUTURO INCERTO




Conversando com o meu amigo Caixa Preta, começamos a relembrar das nossas aventuras aqui no Guará, cidade que adotamos e nem disfarçamos o nosso amor por esse pedaço de chão.
O nosso Guará cresce vertiginosamente, apesar de todo o crescimento, o planejamento para o futuro da cidade continua capenga, chega-se a cruel conclusão que pouco ou nada temos a comemorar.
Nas mãos dos aprendizes de feiticeiros, o que se vê é uma cidade cheia de problemas, que talvez torne o futuro nada promissor, isso é preocupante.
Os escassos investimentos em transporte público ao longo das últimas três décadas, fizeram com que cada vez mais moradores do Guará optassem pelo uso do automóvel particular em seus deslocamentos para outras regiões administrativas do Distrito Federal. A consequência natural desse quadro foi o aumento da ocorrência de engarrafamentos nos acessos e saídas da cidade, que se tornaram um dos grandes problemas enfrentados atualmente pela comunidade de Guará.
Sem contar com obras inúteis que volta e meia aparecem para aumentar o caos que mergulhamos em matéria de planejamento.
Parece que tudo aqui é diferente, basta observar as diversas invasões e construções irregulares que hoje fazem parte da cidade. Como em matéria de fiscalização ficamos muito a desejar, pois quem teria a obrigação de fazê-lo inexplicavelmente se omite ou tem preguiça de zelar pelo bem público, enquanto isso o que se vê é uma quantidade alarmante de irregularidades por toda a cidade.

quinta-feira, 5 de maio de 2022

NÃO SOU MASOQUISTA




Segundo o Caixa Preta, em terra de cego quem tem um olho é rei, mas se tiver os dois será considerado uma aberração, sem querer me lembrei de uma região administrativa chamada Guará.
O mês de Maio chegou, com ele o aniversário do Guará, o nosso pedaço de chão, completa 53 anos sem ter muito o que comemorar, tento me lembrar de algo que realmente seja digno de comemoração, não consigo, não sou masoquista.
Os aprendizes de feiticeiros estão acabando com o pouco que resta do nosso quadrado, que hoje parece apenas o arremedo de uma cidade onde a tônica parecia ser o desenvolvimento e a qualidade de vida da população.
Tudo isso parece ter se perdido pelo caminho com o passar dos anos, com a chegada de aventureiros que buscam apenas uma boquinha pra chamar de sua, sem nada agregar aos nossos sonhos e valores, transformando com isso o Guará em apenas mais uma cidade para servir de poleiro pra essa cambada, esquecendo de planejar o futuro.
Futuro esse, que não se vislumbra com clareza, pois não conseguimos enxergar o que virá e o preço que pagaremos por essa aventura, que mais parece um filme de terror.
A população na sua apatia, ainda abriga alguns, que pensam em usar a cidade como trampolim de suas tentativas de conseguir, talvez um abrigo para seus delírios, perpetuando-se em cargos políticos, sem nada a acrescentar.
Temos como um exemplo vivo as audiências sobre aquela aberração que teimam em querer implantar a todo custo na QI-23, mesmo que o contribuinte mais uma vez se lasque, como já se tornou costume por aqui.

segunda-feira, 2 de maio de 2022

ESVAZIADO




Depois de muito tempo sem acontecer tivemos uma reunião do Conseg, onde com a presença de todos os responsáveis pela segurança da cidade, tivemos a oportunidade de discutir assuntos inerentes aos nossos problemas, que continuam desafiando as autoridades.
Pena que o comparecimento da população, mais uma vez deixou a desejar, um pequeno grupo levou o seu descontentamento com o que acontece cotidianamente em nosso quadrado, que parece não fazer parte das atribuições da administração do Guará, pois para provar que pouco está ligando para o que acontece por aqui nem representante mandou.
Talvez dentro da sua inoperância não tivesse como explicar as aberrações que hoje assolam a cidade deixando-a desfigurada, uma coisa de matar de inveja a qualquer vilarejo nos mais longínquos rincões.
O que popularmente o velho Caixa diria: Onde Judas perdeu as botas.
Esse descaso chega a ser acintoso, pois os problemas se avolumam, são varridos para baixo do tapete, mas não se nota nada, nenhum gesto ou ação que demonstre preocupação com o que realmente acontece no Guará.
A coisa é preocupante, pois o que vemos hoje por aqui, são as longas e improdutivas discussões de problemas alheios à nossa cidade, em grupos de Wha’sApp onde campeia a defesa despudorada de alguns para com os ditos donos do Guará.