quinta-feira, 8 de janeiro de 2026

ASSIM É A VIDA

Aqui chegamos, estive dando uma olhada em alguns textos que guardo e sem querer me deparei com esse belo texto escrito por Pablo Neruda.

Hoje, por ser o meu aniversário resolvi dividir com as pessoas que amo e prezo:

OS ANOS QUE ME RESTAM 

“Nunca tinha pensado nisso desta forma, até que uma manhã, com o café fumegando, compreendi que os anos que tenho… já não os tenho. Sim, soa estranho, mas é a verdade. Aqueles anos que digo ter já se foram, permanecem em fotografias, em risos antigos, em amores que já não doem, em roupas que já não me servem e em sonhos que mudaram de forma.

Os verdadeiros anos que tenho são os que me restam para viver, os que ainda não me viram rir às gargalhadas, os que ainda guardam um abraço, uma conversa sob a lua ou um brinde inesperado. Nesta idade, compreende-se que o tempo já não se mede em velas ou novas rugas, mas em momentos valiosos, em risos que se prolongam e em silêncios que não nos pesam. Quero passar os anos que me restam devagar, sem pressa, com a calma de quem já não precisa de provar nada. Já não me preocupo se o relógio está a correr.”

Ou se a vida mudar de planos. Que ela siga seu curso, que mude, que me surpreenda. Tudo o que eu quero é que os anos que me restam sejam meus, verdadeiramente meus… vividos com a alma aberta, o coração em paz e a certeza de que tudo o que fui, com meus erros e acertos, me trouxe até aqui. E aqui estou eu: tomando café, observando a vida passar pela janela, grato pelos anos que já não tenho… e abraçando com carinho aqueles que ainda viverei “. 


Autor : Pablo Neruda

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