segunda-feira, 12 de novembro de 2018

LIBERDADE

Conheço o Caixa Preta como ninguém. Afinal, são muitos anos de amizade e consigo quase sentir o que o cabra sente, sei quando a coisa é séria.



Lá no Porcão sentados, espantando o calor que fazia com uma cerva bem gelada, pude sentir que algo preocupava o velho Caixa. 
Pacientemente esperei que ele começasse a contar o que o estava preocupando.
Começou então dizendo que de madrugada a mulher dele acordou e percebeu que ele não estava na cama, foi até a sala e o encontrou sentado no sofá, pensativo com os olhos fixos na parede da sala, como se estivesse em transe.
Preocupada a mulher pergunta qual o motivo de tal atitude. Ele limpa as lágrimas que escorrem pelo seu rosto e começou a contar o motivo.
- Querida você lembra quando nós saímos juntos pala primeira vez? Você só tinha 17 anos e seu pai nos flagrou fazendo amor no banco de trás do meu fusca.
Ela suavemente colocou a mão sobre a dele, concordando com a lembrança.
-Seu pai, delegado linha dura, encostou o revólver com tanta doçura na minha cabeça, que ficou um galo que dói até hoje, quando eu lembro.
- Suas doces palavras, até hoje me emocionam: - Ou você casa com minha filha, ou mando você pra cadeia onde passará uns vinte anos preso.
-Isso tudo eu lembro perfeitamente, mas procure esquecer, já faz tanto tempo.
O velho Caixa dá um profundo suspiro, enxuga as lágrimas e diz: - Pois é...hoje eu sairia da prisão, estaria em liberdade!
A mulher que ganhou de presente a arma do pai, anda caçando o cabra pela cidade pra lhe dar uma lição.
Tô fora!