segunda-feira, 4 de junho de 2018

O PRÓXIMO

Conversando com o Caixa Preta lá no Porcão, enquanto tomávamos uma cerveja bem gelada, pois apesar da chuva fina que caía o calor estava de matar. 
Sempre com algum caso pronto pra contar, o velho Caixa começou um pra lá de surreal, mas como estou acostumado escutei sem reclamar do surrealismo que revestia a narrativa do cabra.



Lembro do caso, porque ele me telefonou me pedindo umas cervejas e quando lembro costumo rir muito.
“Velho Gruja, estou aqui no cemitério pois fui cair na besteira de aceitar um convite pra vir ao enterro de uma pessoa que nem conhecia, era na verdade, um tio de um amigo do meu vizinho.
Quando terminaram de enterrar o finado, a tal família do falecido veio com a conversa de seguir uma tradição antiga entre eles, que é de levar uma vidente pra dizer quem era o próximo a “empacotar”,fiquei cabreiro, uma vontade danada de dar no pé, mas respeitando os demais fiquei.
Muito doidona a tal vidente se concentrou, com uma voz sinistra informou que o próximo a morrer, seria o primeiro que caísse fora do cemitério.
Resultado, estamos aqui desde as 9hs da manhã e ninguém arreda o pé daqui, tá uma verdadeira zona, nem o Samu conseguiu levar um dos participantes que passou mal, falou que se tivesse que morrer, morria ali mesmo.
O pessoal já pediu quentinha, frango assado, espetinho, refrigerante, suco, água, café, cerveja e até cachaça para resistir.
Tem uma turma jogando dominó, alguns conseguiram um baralho e caíram matando na “caixeta”, outros jogam damas, tem gente que já armou até umas tendas para dormir por aqui, pois estamos presos e o medo de morrer não nos deixa sair, estamos aqui sem previsão de deixar o local.
Eu só saio daqui quando algum corajoso se arriscar a sair, pois nem a tal vidente saiu e eu não arrisco nem se o mundo acabar.  
Traga minha cerveja”.