domingo, 26 de março de 2017

POESIA FILOSÓFICA




Encontrei com o Caixa Preta lá no Porcão discutindo futebol com o Galak. Pela quantidade de palavrões pude ver o respeito entre as ideias divergentes de duas figuras tão finas e educadas. Fiquei com os olhos cheios de lágrimas, parecia que eu tinha entrado na Capela Sistina, onde o Papa conversava com alguns cardeais sobre os problemas do mundo.
Sentamos na nossa mesa preferida, próxima da porta para ficar de olho no ambiente e evitar a catinga que vinha da cozinha. Al-Qaeda cozinhava aquelas guloseimas muito disputadas pelas moscas, que faziam sobrevoos sobre as mesas.
O velho Caixa estava no seu momento filosófico, foi logo soltando essa pérola: “Velho Gurja às vezes quando você chora, ninguém vê e não dá a miníma para as suas lágrimas…
Quando você está triste, ninguém nota o seu abatimento, ninguém liga para dar uma palavra de apoio…Você sente que está só no mundo.
Muitas vezes você sorri por nada, parecendo um idiota e apesar de faltar alguns dentes, ninguém repara na beleza simples do seu sorriso vazio”…
Falava isso numa seriedade emocionante, eu estava embevecido com tanta palavra bonita, parecia um poeta recitando as suas mais belas poesias. Em seguida, para fechar o espaço filosófico, soltou: “Agora peida pra tu ver” !!!
Quase morro de rir, não sei porque esperei um desfecho diferente.