domingo, 16 de agosto de 2026

ALÉM MAR

Estava com saudades do meu amigo portuga, fui procurar o Caixa Preta pra me contar algo do velho amigo só pra tirar sarro, essa ele contou jurando que é a mais pura verdade.
O velho Caixa que o conhecia a muito tempo, disse que quando gajo chegou aqui no Guará, veio puxando a cachorra como dizem por aí, mas como sempre foi um incansável trabalhador, meteu os peitos e com a cara e a coragem começou a trabalhar.
Montou uma vendinha que aos trancos e barrancos estava indo muito bem, freguesia sempre aumentando, não podia reclamar.
Como todo caso tem que ter um percalço no caminho com o portuga não foi diferente, um bando de vagabundos aproveitando a noite arrombaram o estabelecimento, os gatunos fizeram um limpa geral, não sobrou nem uma caixa de fósforo pra contar a história.
Foi lá na delegacia onde viu como era conhecido, uma multidão de amigos cercavam o Portuga para prestar-lhe solidariedade, mas a maioria foi por curiosidade, mas todos sabiam do esforço pra montar e manter a vendinha.
Os comentários eram os mais variados, do tipo : Que belo prejuízo hein ? Tú se lascou ! Falavam com carinho os amigos, que nem sabiam o que dizer.
Sem perder a pose, o gajo respondeu : Tive muita sorte, quem se deu mal foram os ladrões.
Sem entender bulhufas os amigos se entreolhavam sem acreditar no que ouviam, parecia até que o descendente de Cabral tinha pirado depois do choque provocado pelo roubo.
Surpreendente foi a explicação, o portuga com aquele ar de sábio, parecia até um asno de duas patas, foi de lascar. 
- É que justo hoje, eu ia remarcar todos os preços! Já pensou se me roubassem hoje a noite? O prejuízo ia ser muito maior. 
E a igreja batiza !!

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